domingo, 28 de julho de 2013

O que muda e o que não muda

O que muda e o que não muda...

Eis um importante parâmetro para avaliar coisas da vida.

Há momentos felizes em que reencontramos quem mata nossa sede de falar, de ser escutada
por alguem que nos reconhece pelo olhar, pelo gesto,
pela delicadeza da troca. Precisamos tambem ouvir esse outro
e saber dele como tem sido a caminhada, como tem passado
pelas dores e alegrias da vida, quais as esperanças permanecem,
quais questionamentos brotaram, quais conquistas, quais desafios pela frente. A troca entre duas pessoas que torna aquele instante especial, tocando o transcendente.

Ha tambem momentos felizes em que estamos do lado daqueles que nos amam há tanto tempo,
que nos amam apesar de conhecer nossos defeitos desde que nascemos.
Às vezes não sentimos escutados nem olhados da forma como aquela criança
infantil que ainda vive em nos gostaria, mas chega o momento em que percebemos que
apenas o estar junto nos reabastece. Estar próximo, bater um papo,
compartilhar momentos, diante de novas mudanças que se aproximam.
Momentos em que uma escolha inesperada nos mostra que o poder de estar numa família
e mais forte que a diversidade de escolhas e modos de conduzir a vida. Momentos em que um elogio
sincero pode ter um valor inestimável.

Há momentos em que sentimos tanta alegria em compartilhar o fruto de nosso amor com aqueles
que nos cuidaram com tanto amor, que vibram com nossas conquistas e que nos dão suporte
quando precisamos. Que entendem nosso cansaço e se dispõem a se doar para que possamos realizar nossos encontros e trocas.

Há momentos que o deslumbre da perfeição se esvai e um conflito emerge lembrando que a vida também e isso. Momentos em que o assumir o erro pode ser tão significativo e saber perdoar pode ser uma dadiva. Momentos em que há disposição para ceder e dialogar, crescer no relacionamento e se doar.

Há momentos em que tudo o que queremos e voltar pra nossa casa, para nossa cama, para o lar que construímos com tanto amor, para os passeios na bela cidade em que vivemos. Há o momento de sair e o momento de voltar, momento de plantar, momento de esperar, momento de colher.

Há momentos em que toda uma família espera com alegria a chegada de um novo membro, já esperado antes mesmo de ser concebido. Há um casal que se prepara para acolher um novo ser com muito amor. Há um casal que se prepara para o casamento, há um amigo que espera ate o próximo encontro com o amigo.

Há momentos. Há laços significativos com os outros que persistem apesar das tantas mudanças cotidianos. Há uma sensação de gratidão que não tem como se expressar em gestos materiais. Há uma sensação de divino no encontro com o outro, na troca, no respeito ao diferente, no respeito à diversidade, no contato, no abraço, no olhar, no estar junto, no chorar junto, no sorrir junto. Há momentos em que vemos uma cidade do mundo receber tantos visitantes de vários lugares do mundo e se mantem bela, acolhedora, com suas riquezas e mazelas. Que a humilde vinda de um lider religioso possa inspirar aqueles que estão sem esperança. Que as diferenças possam ser acolhidas, que o respeito, a gentileza, a delicadeza, o perdão, possam permear as relações humanas. Se cada um de nos vai morrer um dia, que possamos cuidar um do outro.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Eclesiastes 3:1-8

sábado, 13 de julho de 2013

Como lidar com a solidão?

Que vontade de ligar pra alguém... de mandar um e-mail, quem sabe...
Mas para quem? Não consigo pensar em ninguém nesse momento.
Como lidar com a solidão?
Como lidar com a dor, com o desamparo, com a angústia?
Será que é isso que aparece quando tememos a mudança?
E agora, como será? O que vem pela frente?
Qual será o desconhecido da vez?
Sempre estamos sós, mesmo acompanhados.
Sempre estamos só, mesmo quando realizamos o que sonhávamos.
No final das contas, só contamos com a gente mesmo.
E porque isso tem que doer ao invés de nos libertar?
Vivemos à procura de um outro
que nos conceda a chave do fim do sofrimento...
E nos esquecemos que nós somos nossos maiores causadores de sofrimento.
O dia chegará em que a solidão não será temida, rechaçada, disfarçada.
Mas acolhida, encarada, enfrentada.
A solidão é de cada um, é o que temos de mais nosso,
o que temos de mais humano,
é o que nos acompanha desde que nascemos
e que nos acompanhará até o retorno ao pó.
Que calemos nossas vozes interiores para escutar a voz do silêncio,
para um dia, quem sabe, aprender a lidar com a solidão.