"Partir, andar - eis que chega
essa velha hora tão sonhada...
(...)
Partir, andar - eis que chega
não há como deter a alvorada...."
O fim de uma etapa de 6 anos...
5 anos numa mesma cidade...
Duas semanas de tristeza saudosa nas despedidas.
Mudanças sonhadas também são temidas...
"Todo medo é um desejo"
Medo do novo, do recomeço, da mudança de fase.
Mudança necessária, mas momentos de partir sempre dão aquele nó na garganta,
nos recordam de que tudo tem um fim. Nossa existência também terá um fim um dia.
Enquanto há vida, vamos cultivando sonhos, realizando sonhos,
conhecendo pessoas que passam por nosso caminho e nos possibilitam
momentos interessantes, trocas compartilhadas, apoio na caminhada.
Consciência de que há momentos em que estaremos completamente sós,
sem ninguém a quem recorrer, às vezes nem alguém disposto a nos escutar.
Há momentos em que podemos contar só com a gente mesmo,
e gente persiste.
Persiste em lutar apesar do cansaço,
persiste em sonhar apesar da dureza,
persiste em mudar apesar do medo.
A vida, mesmo diante dos maiores desamparos,
insiste em brotar, em renascer,
em vencer, mesmo sangrando.
Que venha a nova mudança!
Que venha a esperança de avançar que sempre persiste,
apesar dos pesares dessa vida adulta tão cheia de contradições.
Percalços e poesia.
" Não são as perdas, nem as quedas que podem fazer fracassar nossa vida, senão a falta de coragem para levantar-nos e seguir adiante. "
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
domingo, 28 de julho de 2013
O que muda e o que não muda
O que muda e o que não muda...
Eis um importante parâmetro para avaliar coisas da vida.
Há momentos felizes em que reencontramos quem mata nossa sede de falar, de ser escutada
por alguem que nos reconhece pelo olhar, pelo gesto,
pela delicadeza da troca. Precisamos tambem ouvir esse outro
e saber dele como tem sido a caminhada, como tem passado
pelas dores e alegrias da vida, quais as esperanças permanecem,
quais questionamentos brotaram, quais conquistas, quais desafios pela frente. A troca entre duas pessoas que torna aquele instante especial, tocando o transcendente.
Ha tambem momentos felizes em que estamos do lado daqueles que nos amam há tanto tempo,
que nos amam apesar de conhecer nossos defeitos desde que nascemos.
Às vezes não sentimos escutados nem olhados da forma como aquela criança
infantil que ainda vive em nos gostaria, mas chega o momento em que percebemos que
apenas o estar junto nos reabastece. Estar próximo, bater um papo,
compartilhar momentos, diante de novas mudanças que se aproximam.
Momentos em que uma escolha inesperada nos mostra que o poder de estar numa família
e mais forte que a diversidade de escolhas e modos de conduzir a vida. Momentos em que um elogio
sincero pode ter um valor inestimável.
Há momentos em que sentimos tanta alegria em compartilhar o fruto de nosso amor com aqueles
que nos cuidaram com tanto amor, que vibram com nossas conquistas e que nos dão suporte
quando precisamos. Que entendem nosso cansaço e se dispõem a se doar para que possamos realizar nossos encontros e trocas.
Há momentos que o deslumbre da perfeição se esvai e um conflito emerge lembrando que a vida também e isso. Momentos em que o assumir o erro pode ser tão significativo e saber perdoar pode ser uma dadiva. Momentos em que há disposição para ceder e dialogar, crescer no relacionamento e se doar.
Há momentos em que tudo o que queremos e voltar pra nossa casa, para nossa cama, para o lar que construímos com tanto amor, para os passeios na bela cidade em que vivemos. Há o momento de sair e o momento de voltar, momento de plantar, momento de esperar, momento de colher.
Há momentos em que toda uma família espera com alegria a chegada de um novo membro, já esperado antes mesmo de ser concebido. Há um casal que se prepara para acolher um novo ser com muito amor. Há um casal que se prepara para o casamento, há um amigo que espera ate o próximo encontro com o amigo.
Há momentos. Há laços significativos com os outros que persistem apesar das tantas mudanças cotidianos. Há uma sensação de gratidão que não tem como se expressar em gestos materiais. Há uma sensação de divino no encontro com o outro, na troca, no respeito ao diferente, no respeito à diversidade, no contato, no abraço, no olhar, no estar junto, no chorar junto, no sorrir junto. Há momentos em que vemos uma cidade do mundo receber tantos visitantes de vários lugares do mundo e se mantem bela, acolhedora, com suas riquezas e mazelas. Que a humilde vinda de um lider religioso possa inspirar aqueles que estão sem esperança. Que as diferenças possam ser acolhidas, que o respeito, a gentileza, a delicadeza, o perdão, possam permear as relações humanas. Se cada um de nos vai morrer um dia, que possamos cuidar um do outro.
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Eclesiastes 3:1-8
Eis um importante parâmetro para avaliar coisas da vida.
Há momentos felizes em que reencontramos quem mata nossa sede de falar, de ser escutada
por alguem que nos reconhece pelo olhar, pelo gesto,
pela delicadeza da troca. Precisamos tambem ouvir esse outro
e saber dele como tem sido a caminhada, como tem passado
pelas dores e alegrias da vida, quais as esperanças permanecem,
quais questionamentos brotaram, quais conquistas, quais desafios pela frente. A troca entre duas pessoas que torna aquele instante especial, tocando o transcendente.
Ha tambem momentos felizes em que estamos do lado daqueles que nos amam há tanto tempo,
que nos amam apesar de conhecer nossos defeitos desde que nascemos.
Às vezes não sentimos escutados nem olhados da forma como aquela criança
infantil que ainda vive em nos gostaria, mas chega o momento em que percebemos que
apenas o estar junto nos reabastece. Estar próximo, bater um papo,
compartilhar momentos, diante de novas mudanças que se aproximam.
Momentos em que uma escolha inesperada nos mostra que o poder de estar numa família
e mais forte que a diversidade de escolhas e modos de conduzir a vida. Momentos em que um elogio
sincero pode ter um valor inestimável.
Há momentos em que sentimos tanta alegria em compartilhar o fruto de nosso amor com aqueles
que nos cuidaram com tanto amor, que vibram com nossas conquistas e que nos dão suporte
quando precisamos. Que entendem nosso cansaço e se dispõem a se doar para que possamos realizar nossos encontros e trocas.
Há momentos que o deslumbre da perfeição se esvai e um conflito emerge lembrando que a vida também e isso. Momentos em que o assumir o erro pode ser tão significativo e saber perdoar pode ser uma dadiva. Momentos em que há disposição para ceder e dialogar, crescer no relacionamento e se doar.
Há momentos em que tudo o que queremos e voltar pra nossa casa, para nossa cama, para o lar que construímos com tanto amor, para os passeios na bela cidade em que vivemos. Há o momento de sair e o momento de voltar, momento de plantar, momento de esperar, momento de colher.
Há momentos em que toda uma família espera com alegria a chegada de um novo membro, já esperado antes mesmo de ser concebido. Há um casal que se prepara para acolher um novo ser com muito amor. Há um casal que se prepara para o casamento, há um amigo que espera ate o próximo encontro com o amigo.
Há momentos. Há laços significativos com os outros que persistem apesar das tantas mudanças cotidianos. Há uma sensação de gratidão que não tem como se expressar em gestos materiais. Há uma sensação de divino no encontro com o outro, na troca, no respeito ao diferente, no respeito à diversidade, no contato, no abraço, no olhar, no estar junto, no chorar junto, no sorrir junto. Há momentos em que vemos uma cidade do mundo receber tantos visitantes de vários lugares do mundo e se mantem bela, acolhedora, com suas riquezas e mazelas. Que a humilde vinda de um lider religioso possa inspirar aqueles que estão sem esperança. Que as diferenças possam ser acolhidas, que o respeito, a gentileza, a delicadeza, o perdão, possam permear as relações humanas. Se cada um de nos vai morrer um dia, que possamos cuidar um do outro.
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Eclesiastes 3:1-8
sábado, 13 de julho de 2013
Como lidar com a solidão?
Que vontade de ligar pra alguém... de mandar um e-mail, quem sabe...
Mas para quem? Não consigo pensar em ninguém nesse momento.
Como lidar com a solidão?
Como lidar com a dor, com o desamparo, com a angústia?
Será que é isso que aparece quando tememos a mudança?
E agora, como será? O que vem pela frente?
Qual será o desconhecido da vez?
Sempre estamos sós, mesmo acompanhados.
Sempre estamos só, mesmo quando realizamos o que sonhávamos.
No final das contas, só contamos com a gente mesmo.
E porque isso tem que doer ao invés de nos libertar?
Vivemos à procura de um outro
que nos conceda a chave do fim do sofrimento...
E nos esquecemos que nós somos nossos maiores causadores de sofrimento.
O dia chegará em que a solidão não será temida, rechaçada, disfarçada.
Mas acolhida, encarada, enfrentada.
A solidão é de cada um, é o que temos de mais nosso,
o que temos de mais humano,
é o que nos acompanha desde que nascemos
e que nos acompanhará até o retorno ao pó.
Que calemos nossas vozes interiores para escutar a voz do silêncio,
para um dia, quem sabe, aprender a lidar com a solidão.
Mas para quem? Não consigo pensar em ninguém nesse momento.
Como lidar com a solidão?
Como lidar com a dor, com o desamparo, com a angústia?
Será que é isso que aparece quando tememos a mudança?
E agora, como será? O que vem pela frente?
Qual será o desconhecido da vez?
Sempre estamos sós, mesmo acompanhados.
Sempre estamos só, mesmo quando realizamos o que sonhávamos.
No final das contas, só contamos com a gente mesmo.
E porque isso tem que doer ao invés de nos libertar?
Vivemos à procura de um outro
que nos conceda a chave do fim do sofrimento...
E nos esquecemos que nós somos nossos maiores causadores de sofrimento.
O dia chegará em que a solidão não será temida, rechaçada, disfarçada.
Mas acolhida, encarada, enfrentada.
A solidão é de cada um, é o que temos de mais nosso,
o que temos de mais humano,
é o que nos acompanha desde que nascemos
e que nos acompanhará até o retorno ao pó.
Que calemos nossas vozes interiores para escutar a voz do silêncio,
para um dia, quem sabe, aprender a lidar com a solidão.
terça-feira, 21 de maio de 2013
A ponte
"Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"
A ponte - Lenine
Como sair da ilha?
Como fazer ponte?
Como chegar aos outros em tempos de vida líquida?
Pela ponte, pela ponte...
Circular por novos lugares,
parar de olhar tanto para si e olhar ao redor,
resgatar a poesia perdida,
se doar para os outros,
dar ouvido àqueles que se aproximam e anseiam falar com alguém de sua dor,
suportar a dor do outro,
suportar a própria ao fazer uma laço signficativo com um outro,
ir em busca de novos desafios,
estar disposto a construir novas pontes
em novos lugares.
O perigo de assumir o desejo
é vê-lo se realizar...
Sair da lamentação e correr o risco de viver.
E construir pontes...
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte
A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento"
A ponte - Lenine
Como sair da ilha?
Como fazer ponte?
Como chegar aos outros em tempos de vida líquida?
Pela ponte, pela ponte...
Circular por novos lugares,
parar de olhar tanto para si e olhar ao redor,
resgatar a poesia perdida,
se doar para os outros,
dar ouvido àqueles que se aproximam e anseiam falar com alguém de sua dor,
suportar a dor do outro,
suportar a própria ao fazer uma laço signficativo com um outro,
ir em busca de novos desafios,
estar disposto a construir novas pontes
em novos lugares.
O perigo de assumir o desejo
é vê-lo se realizar...
Sair da lamentação e correr o risco de viver.
E construir pontes...
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Gonzaga de Pai para Filho

Um dos filmes mais intensos que já vi. Uma história não apenas sobre a vida de dois grandes gênios da música brasileira, mas sobre a intensidade das relações familiares, falando, no fundo, de todos nós.
Quem nunca questinou um familiar seu, seja pai, mãe, querendo saber de sua própria história, como aparece Gonzaguinha fazendo com o pai? Quem não teve seus embates com aqueles que mais ama na vida, seja pai, mãe, irmão, cônjuge? Quem não se viu diante de um momento em que pegou suas coisas e partiu para a vida, longe de seus familiares e em busca de si próprio?
É interessante acompanhar a história de Gonzaga, que ao chegar na cidade grande, começa por tocar músicas que acredita que os outros vão gostar, mas que não tem relação com suas origens. Contudo, só quando o rei do baião assumiu suas origens nordestinas que seu sucesso pode brotar.
Será que isso não acontece com cada um de nós? Muitos de nós podemos, ao ter partido, não querer saber de sua própria história, deixar de lado nossas raízes, querendo o novo com toda força de nossa alma, em busca de uma nova identidade.
Até que entendemos que precisamos nos libertar de nossa ânsia desenfreada por novidade, pois precisamos buscar em nós mesmos, em nossas próprias raízes a fonte daquilo que queremos pra nossa vida. Afinal, como diz Lacan, o desejo é desejo do outro. Só podemos desejar porque alguém ou alguéns, algum dia, sonhou com nossa existência.
E retomar aquilo que nos constitui não significa alienação, pois para que possamos nos separar de algo precisamos primeiro ver o quanto aquilo faz parte do que somos. Assumir nossas raízes, nossa história, nos apropriar do que é nosso para sermos autênticos na vida e não meros reprodutores do ambiente ao redor. Como comenta Freud citando Goethe:
"Aquilo que herdaste, torna-te teu para que possas merecê-lo."
Os sofrimentos que pai e filho passam, sejam na história individual de cada um, seja na relação conflituosa entre pai e filho, nos fazem lembrar o quanto cada um passa por tragédias: perdas, dificuldades, impasses, dores. Mas mesmo diante dos pesares da vida, é possível seguir em frente, buscar diálogo, superar mágoas, ter humildade de perdoar, de ter tolerância com o outro. E não perder a poesia da vida.
Amadurecer é perceber que não somos nada, que orgulho não leva a nada, que precisamos do laço com o outro para buscar nossos sentidos próprios. Cada um dá o que consegue dar, e nossa abertura e aceitação da vulnerabilidade do outro pode nos permitir abrir portas no coração do outro que estavam fechadas. Afinal, "Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...". Abaixo, a belíssima música de um filho que buscou um pai e o encontrou:
O QUE É O QUE É
(Gonzaguinha)
Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Assinar:
Postagens (Atom)