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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Processo Terapêutico e Mudanças

O que leva a uma pessoa a procurar ajuda de um psicólogo? Como chegam os pacientes ao atendimento psicológico e o que imaginam dele?

Com minha singela experiência de 3 anos como psicóloga formada, atuando em serviço público, tenho visto que muitos, ao chegarem ao limite do sofrimento, vão em busca de ajuda, em geral após tentar resolver por si mesmos suas dificuldades e não conseguirem. E muitas vezes também após o surgimento de sintomas corporais que apontam que algo não anda bem.

E esse adoecimento do corpo, ao levar à entrada no processo terapêutico, pode trazer todo um processo de reflexão da vida como um todo - o que tenho feito da minha vida? Quem tenho sido? O que tenho amado e com o que tenho sofrido? O que esperava da vida e o que tenho encontrado?

E o espaço que o atendimento psicológico propicia nasce como um lugar de "olhar para si", de poder "cuidar de si", de "falar de si" ao contar a versão de sua história de vida.

E aquele sintoma inicial que me era desconhecido, estranho, onde não me reconhecia... Não, eu não sou isso... O que é isso? Com o processo terapêutico e as mudanças decorrentes dele, vejo que eu sou isso...

Não tem jeito, nos tornamos isso... isso que nem sempre é forte, isso que nem sempre é frágil, isso que nem sempre nos está sobre o controle, isso que nos incomoda e que nos constitui... Isso que são as repetições que acabamos voltando a encontrar no decorrer da vida...

Mas e a mudança? Ao se reconhecer, ao estar consciente de suas identificações, ao ver o quanto ainda se traz de sentimento daquela criança de outra hora que agora emerge - criança que, na verdade, sempre esteve ali, só não estávamos lhe dando ouvidos. Criança que precisa de cuidado e que precisa saber que agora o tempo é outro, a vida é outra, a versão para a história de vida vai se construindo de forma nova e rica, propiciando crescimento emocional e uma abertura à possibilidade de criar o novo, ser criativo para reescrever a própria história e poder seguir em frente, com novas visões e forças renovadas para enfrentar as consequencias da escolhas feitas... e as mudanças que virão com a nova postura perante à vida...

domingo, 25 de julho de 2010

O tempo da gravidez




Hoje vamos começar a série "Falando sobre as nossas mudanças", em que as pessoas cederão textos seus para contribuir com as reflexões sobre o tema de nosso blog. Conto hoje com a participação da minha querida amiga Carol que tem um blog muito interessante chamado "Enquanto Esperamos". Abaixo está um texto deste blog cedido por ela relacionado a temática de nosso blog sobre mudanças, especificamente relacionado à questão da maternidade.

O tempo da gravidez

Uma das grandes mudanças em minha vida durante a gravidez foi o tempo. Acostumada a viver em ritmo acelerado, tive que ir reduzindo para me adaptar aos limites de meu novo corpo. Isso não ocorreu facilmente, foi uma luta intensa e interna, entre a velha Carol (ansiosa pela independência) e a nova Carol. A novidade de estar grávida impõe um ritmo de espera, lenta e cautelosa, que deve ser aproveitada para que, aos poucos, a idéia tome forma e o coração entenda o que está por vir. Assim, fui abrindo mão, relutante, de objetivos que pareciam urgentes, de necessidades que pareciam inevitáveis. Mudei de casa, de estado civil, desviei um tanto meu caminho profissional. Aprendi a amar alguém que ainda nem conhecia, e a apreciar ainda mais o grande amor de minha vida. Sofri por deixar passar oportunidades profissionais e por adiar sonhos tão almejados. Mas, hoje, entendo que este é o tempo de uma nova vida. É necessário ter paciência, deixar que venha a barriga, as estrias, as dores, o cansaço... mas, também, a alegria, o prazer, a conquista de uma família unida e harmoniosa.

Há muitas expectativas sobre as mudanças da grávida, muitas pessoas querem participar desse período único. Mas, ninguém pode ensinar ou até mesmo impor a ela o novo ritmo, o novo tempo. Porque ele não se refere apenas ao amadurecimento do feto e ao crescimento da barriga, mas a uma nova identidade que nasce gradualmente, sob os efeitos dos hormônios, das emoções e da história de vida de cada mulher. Para algumas, a mudança é natural e sem traumas. Mas, para outras, há muito do que se abrir mão e muito do que se entregar. Não ser exigente consigo mesma, respirar fundo a cada susto, ler e ler bastante, conversar, chorar quando der vontade, se alimentar, admirar as pequenas coisas do dia-dia são estratégias para encarar com prazer o tempo dessa maravilhosa espera.

Carolina Pombo
http://enquanto-esperamos.blogspot.com

(2a. foto: Carol grávida, tirada por Júlia Pombo, 2009)