sábado, 31 de março de 2012

Ritual e Mudança

Será que os rituais que a sociedade nos oferece nos ajuda a superar as fases de mudanças, de transição (como nascimento, passagem da infancia para puberdade, passagem da adolescencia para a vida adulta, casamento, morte) ou nos aprisiona num modo rígido de vivenciar novas experiências?


Sobre ritos de passagem:

"Ritos de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no seio de sua comunidade.

Em todas as sociedades primitivas, determinados momentos na vida de seus membros eram marcados por cerimônias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou de passagem. Essas cerimônias, mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, representava igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade na qual estava inserido, tendo, portanto tanto o cunho individual quanto o coletivo.

Todas essas cerimônias, no entanto, marcavam pontos de desprendimento. Velhas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser aceitas. A convivência com algumas pessoas devia ser deixada para trás e novas pessoas passavam a constituir o grupo de relacionamento direto. Muitas vezes, a cada uma dessas cerimônias, a pessoa trocava de nome, representando que aquela identidade que assumira até então, não mais existia - ela era uma nova pessoa."

Fonte: Wikipedia

Sobre ritual:

"Ritual é um serviço ou cerimônia encenada com um propósito ou intenção religiosa, seja tal propósito ou intenção consciente ou inconsciente. As representações rituais são baseadas em temas mitológicos e arquetípicos, expressam suas mensagens simbolicamente, envolvem uma pessoa totalmente, conduzem um senso de significado superior para o indivíduo e, ao mesmo tempo, contam com representações adequadas ao espírito dos tempos. Quando ritos individuais e coletivos já não incorporam o espírito dos tempos, são buscadas novas representações arquetípicas ou novas interpretações são dadas a formas antigas, a fim de compensar o estado que mudou na consciência.

O ritual funciona como um continente psíquico para a transformação quando o equilíbrio psicológico de uma pessoa é ameaçado pelo inesperado poder do numinoso durante um período de mudança de um status ou modo de ser para um outro. Jung acreditava que o homem exprimia suas condições psicológicas mais importantes e fundamentais no ritual e que, se não fossem providenciados rituais apropriados, as pessoas espontâneas e inconscientemente inventariam rituais para salvaguardar a estabilidade da personalidade quando a transição de uma condição psicológica para outra era efetuada. Contudo, o próprio ritual não efetua a transformação; apenas a contém.

O interesse de Jung pelo ritual originou suas viagens à África, Índia e às tribos indígenas no sudoeste dos Estados Unidos. Era sobretudo atraído pelos rituais de iniciação, neles encontrando paralelos com processos e progressões psicológicos feitos pelo indivíduo em diferentes ESTÁGIOS DA VIDA. No trabalho com seus pacientes, observava que a confiança no ritual era uma condição de cada acréscimo na consciência."

Fonte: Rubedo

Portanto, ritos de passagem parececem estar ligados a celebrações, cerimônias que unem a mudança do indivíduo ao coletivo da sociedade. Podemos pensar que o rito pode ajudar a pessoa a elaborar o processo de mudança, processo esse que ocorre em diferentes estágios da vida.

Cada um tem seus rituais cotidianos e os rituais que são mais coletivos, partilhados por mais pessoas da sociedade. Quando nascemos, nossos pais nos apresentam os rituais da sociedade. Quando crescemos e nos tornamos adultos, nós escolhemos de que rituais participar, ainda mais após nos darmos conta que o ritual não é "natural", mas construído pela sociedade. Alguns ritos podem nos acalentar para enfrentar as mudanças, outros não são suficientes para conter as crises que algumas mudanças provocam em nós.

Mesmo que abdiquemos de alguns rituais considerados coletivos, algo será colocado no lugar daquele ritual abandonado para dar conta daquela mudança. Quanto mais conscientes ficamos, mais podemos escolher com liberdade do que queremos fazer parte e do que não. Mudamos rituais e escolhemos rituais que possam expressar mudanças pelas quais passamos, já que estamos inseridos na sociedade e precisamos nos sentir parte dela. Apresentamos rituais para nossos filhos e esperamos que quando crescerem eles também se sintam livres para escolher os ritos ou rituais que fizerem sentido para si.

Ritos de Passagem
(Humberto Gessinger, do Engenheiros do Havaí)

Medo de voltar pra casa
Medo de sair de casa
E encontrar tudo no mesmo lugar
Medo de abrir os olhos
Medo de fechar os olhos
E enxergar o que não quer nem imaginar

Quanto tempo faz ? uma semana atrás ?
No topo do mundo, na crista da onda
Numa euforia de se estranhar
pouco tempo faz ! uma semana atrás !
No topo do mundo, na crista da onda
Um mergulho em busca de ar

Tudo mudou, ela acordou
Estava onde nunca quis estar

Livre para ir e vir
Para ficar onde está
É outro modo de ver a queda

Livre como sempre quis
Livre como nunca imaginou
Só outro modo de ver o muro desabar

Quanto tempo faz ? uma semana atrás ?
No topo do mundo, na crista da onda
Numa euforia de se estranhar
pouco tempo faz ! uma semana atrás !
No topo do mundo, na crista da onda
Um mergulho em busca de ar

Tudo mudou, ela acordou
Estava onde nunca quis estar
Ela mudou, tudo acabou
Ela está pronta pra recomeçar

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