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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Mudança do Primeiro Ano como Mãe

Quando nosso filho completa um ano, podemos dizer que nós mães também estamos completando um ano, só que um ano de vida como mãe.

É claro que a mãe que somos é influenciada pelos sonhos que já nutrimos em um dia ser mãe, pelas expectativas que criamos quando fortalecemos o relacionamento com um grande amor, quando sonhamos juntos em ter um filho, quando engravidamos e tentamos nos preparar para a grande mudança que está por vir.

Mas a gravidez é um outro tipo de mudança que a maternidade que nasce quando nasce um bebê. Na gravidez de alguma forma a mãe e o bebê estão protegidos, o corpo da mãe se encarrega de cuidar do bebê de forma quase automática, natural, o bebê se encarrega de ter todas as suas satisfações atendidas na água quentinha do líquido amniótico. Que paraíso!

sábado, 23 de outubro de 2010

COMER, REZAR, AMAR - a busca de um propósito

Há quase uma semana, vi o filme "Comer, Rezar, Amar" e gostei. Logo que vi o filme em exibição lembrei desse título que já me atraía na livraria, apesar de nunca ter folheado o livro.

Fui ver achando que poderia ser um filme leve, uma comédia romântica açucarada com a Julia Roberts. Contudo, não foi o que vi.

É uma história simples, real, de uma mulher que tinha tudo para ser considerada "feliz" e bem-sucedida pela sociedade, mas que, a partir de suas inquietudes, correu atrás de mudanças para que realmente pudesse encontrar um sentido para sua existência.

Não há como não nos identificarmos com momentos da personagem em busca do difícil encontro consigo mesma. Há um bela cena na Itália em que ela está num monumento antigo e acaba fazendo uma analogia consigo mesma: apesar de estar em ruínas, não houve desabamento, mas resistência ao tempo e até expansão. A partir do caos que ela experimentou, ela pode ir em busca de expandir sua vida, tendo novas experiências e vivências.

Nietzsche já dizia: "É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante" A partir das ruínas em que possamos nos encontrar - tristeza, dores, frustrações, sensação de fracasso por não nos sentir feliz como gostaríamos - é possível surgir um grande impulso que nos move em direção ao novo, a grandes navegações, viagens e conquistas. Quando temos coragem de sair da zona de conforto e procurar um propósito maior na vida. Quando saímos do comodismo e vamos além.

Ao longo das viagens que realizou, Liz encontrou novas pessoas, fez laços de amizade. Isso acontece também quando mudamos de casa, de cidade, de estado civil, de emprego, etc. Lembro da idéia de uma professora psicanalista que é parecida com o que Viviane Mosé disse no programa Conexão Roberto D´avila: "Não sou eu que me sustento, é a rede de relações que eu construo ao longo da vida que me sustenta - na família, trabalho, amizades."

E é na Índia que Liz vai encontrar esse propósito que tanto ansiava. Muitos pensam que se auto-conhecer implica em se isolar, fugir do mundo, viver no deserto. Mas nada adianta, se após a reclusão (na forma que for, se houver), não se voltar ao mundo, pois é necessário uma ação no mundo, ser agente no mundo, que envolve o relacionamento com outras pessoas.

Na vivência de uma espiritualidade que realmente nos re-ligue ao divino, podemos experimentar uma sensação de fraternidade com toda humanidade, independente de credo, raça, religião. Poder nos abrir à compreensão e à torcida pelos outros, outro que também somos nós. Essa conexão nos possibilita nos sentir integrados e fazendo parte de um todo que nos dá significado e sentido à nossa vida.

Com isso, vamos vendo que não precisamos resitringir nossa felicidade à determinado lugar ou na convivência com determinadas pessoas. Aonde quer que formos, encontraremos pessoas as quais nos ligar afetivamente, que podem se tornam grandes amigos ou companheiros de caminhada, com quem possamos simplesmente conviver.

Basta que estejamos abertos a isso, aprendendo com as mudanças, ampliando nossa rede, sem apagar o quanto foi ganho com a troca que tivemos com outras pessoas que passaram por nossas vidas e que também buscavam um significado.

O filme, enfim, conta o relato pessoal de alguém que precisou de viagens pelo mundo para se encontrar. Mas o que podemos pensar é que cada uma terá seu modo pessoal de encontrar o seu sentido singular para as resposta que anseia para sua vida. Para uns, a vida precisa levar para bem longe de seus laços inicias. Para outros, basta viver a vida inteira no mesmo lugar. Afinal, a maior viagem é a interna, as mudanças apenas podem desencadear as transformações que precisamos vivenciar internamente.

Cada um construirá seu próprio caminho, terá sua descoberta pessoal acerca de qual sentido e significado terá sua existência, ou seja, aquilo que realmente faz valer a pena a vida que vivemos.

domingo, 15 de agosto de 2010

O tempo




Uma das coisas que lembra o tema de "mudanças" é o tempo. O tempo de espera, tempo de mudança, de transformação, de assimilação, de criação, de gestação, de crescimento, de envelhecimento, de caminho rumo à morte, de vida e de morte.
Dando prosseguimento à nossa série "Falando sobre nossas mudanças", teremos a leveza de dois poetas para falarem dessa companhia que apesar de tantas mudanças trazer, não de deixa de ser uma companhia permanente do homem: o tempo. O tempo que passa rápido, e o tempo que cultiva vida (enquanto há tempo!). A mudança que podemos ter quanto ao nosso relacionamento com o tempo e os benefícios disso.



O tempo (Mário Quintana)

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

_____//________

Viviane Mosé


(Poemas do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso.)



quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?

o tempo andou riscando meu rosto

com uma navalha fina



sem raiva nem rancor

o tempo riscou meu rosto

com calma



(eu parei de lutar contra o tempo

ando exercendo instantes

acho que ganhei presença)




acho que a vida anda passando a mão em mim.

a vida anda passando a mão em mim.

acho que a vida anda passando.

a vida anda passando.

acho que a vida anda.

a vida anda em mim.

acho que há vida em mim.

a vida em mim anda passando.

acho que a vida anda passando a mão em mim


e por falar em sexo quem anda me comendo

é o tempo

na verdade faz tempo mas eu escondia

porque ele me pegava à força e por trás



um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

se você tem que me comer

que seja com o meu consentimento

e me olhando nos olhos



acho que ganhei o tempo

de lá pra cá ele tem sido bom comigo

dizem que ando até remoçando

(*Imagem: obra de Salvador Dali, a persistência do tempo)